CASTRO, Eugénio de, Coimbra, 1869 – Coimbra, 1944

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Tabela de conteúdo

Dados Biográficos

Nasceu em Coimbra em 4/3/1869 e faleceu a 18/8/1944. Poeta e professor universitário, em Coimbra, onde também fez os seus estudos preparatórios e concluiu o seu curso superior de letras (1885-1888). Nomeado pouco depois adido à legação de Portugal em Viene de Áustria, não tardou em desistir da carreira diplomática, escolhendo a carreira do magistério. O seu pai o conselheiro Dr. Luiz da Costa e Almeida, foi lente, decano e diretor da Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra; o seu avô paterno também apelidado Luiz da Costa e Almeida, foi lente de Leis na mesma Universidade antes de ser nomeado desembargador da Casa da Suplicação; o seu avô materno, o conselheiro Dr. Francisco de Castro Freire, foi lente de Prima, decano e diretor da Faculdade de Matemática, escritor e poeta. Considerado o introdutor do simbolismo em Portugal, tem um percurso literário que oscila entre uma fase inovadora e uma outra neoclássica, de maior sobriedade estilística, até se aproximar do movimento neo-romântico, desembocando num culto de simplicidade e num regresso de forma tradicionais como por exemplo a quadra popular. Muitos dos seus poemas foram traduzidos para espanhol, italiano, sueco, entre outras.


Dados Bibliográficos

Eugénio Castro desde tenra idade compareceu na feira de letras, publicando aos 15 anos (1884) os seus primeiros livros de versos, Cristalizações da Morte e Canções de Abril; em 1885, Jesus de Nazaré; em 1887, Per umbram, e em 1888, Horas tristes.Estes livros foram publicados antes da sua estada em Paris, onde esteve alguns meses e de onde regressou em 1889, é, no entanto, o contacto com os grandes nomes do decadentismo francês que o desperta para a nova estética. Publicadas já em França as grandes obras do espírito decadente, À Rebours de Huysmans (1884), e Les Complaintes, de Jules Laforgue (1885), e os principais textos teóricos do simbolismo, Traité du Verbe, de René Ghil, e o Manifesto do Simbolismo, assinado por Jean Moréas, aparecidos em 1886 – com eles dialogará Eugénio de Castro, aderindo às novas tendências, dando, mais tarde a conhecer a Portugal nomes como Jules Laforgue, Gustava Kahn; René Ghil e Henri de Régnier, com os quais, entre outros, veio a manter correspondência.Eugénio de Castro torna-se o “Papa” do Simbolismo em Portugal, dando a conhecer a uma geração atrasada, que mal escutava de longe Verlaine, as vozes maiores do decadentismo em língua francesa.

Excerto da Obra Oaristos de Eugénio de Castro A obra Oaristos, coletânea poética de Eugénio de Castro introduz em Portugal uma nova corrente estética de nome Simbolismo, foi considerada um escândalo literário. Oaristos é uma tomada de posição contra os lugares-comuns que caracterizavam a poesia portuguesa, as rimas habituais, o vocabulário pobre. E propõe uma nova maneira. Oaristos é o livro de revolta que rasga com a literatura feita até então. Nele empregou vocábulos raros porque às perífrases prefere "o termo preciso", porque pensa "como Baudelaire, que as palavras, independentemente da ideia que representam, têm a sua beleza própria". Imagem:oaristos.jpeg


Poema “Horas” – Pelas landes, à noite, de Eugénio de Castro

                                            Pelas Landes, à noite 

Pelas landes e pelas dunas

Andam os magros como pregos,

Os lobos magros como pregos,

Pelas landes e pelas dunas.


Olhos de fósforo, esfaimados,

Numa pavorosa alcateia,

Andam, andam buscando ceia,

Olhos de fósforo, esfaimados.


Nas landes grandes, junto às dunas,

Um menino perdido anda,

Anda perdido, a chorar anda,

Nas landes, junto às brunas dunas.


Senhor Deus de Misericórdia,

Protegei o róseo menino,

Protegei o róseo menino,

Senhor Deus de Misericórdia.


Porque nas landes e nas dunas

Andam os magros como pregos,

Os lobos magros como pregos,

Nas grandes landes e nas dunas.


Linhas gerais de análise da Obra Oaristos e do poema “Pelas landes, à noite”, integrado no poema das Horas O seu manifesto no prefácio dos Oaristos (v.) (1890), a audácia desta colectânea e dos seus poemas das Horas (1891), provocaram escândalo literário e a discussão contribui para a difusão da nova estética. A sua poesia teve nestas obras um carácter pragmático, onde o autor obedeceu menos a um comando poético do que a uma lúcida e crítica intensão de operar na poesia portuguesa uma revolução formal. Fundamentalmente visual e auditivo, seduzido pelo luxo vocabular, insurgiu-se contra os lugares comuns da expressão, contra a pobreza das rimas estafadas, conta a estreiteza de um léxico convencional, incolor, aconselhando e utilizando a imagem chocante, a rima rara, a desarticulação equívoca da frase, os termos sugestivos pelo seu valor fónico e pela sua qualidade pura, quase secreta. Introduziu a rima interior e o processo de aliteração em grande escala (experiências instrumentais em «Um Sonho», em Oaristos, e «Pelas landes à noite, nas Horas). Procurando a música do verso, defendeu a liberdade de ritmos, revoltou-se contra a cesura obrigatória no sexto verso dos decassílabos heróicos e sobretudo dos alexandrinos, invocando, para estes últimos, a autoridade de Viélé Griffin, de Jean Moréas e do crítico Félix Fénéon. Do simbolismo de Baudelaire, sob o signo do mistério profundo e da estranheza, do desregramento sonsorial de Rimbaud, do supralirismo cerebral de Mallarmé, e no qual os objetos são pretexto de conhecimento poético, pouco ou nada recebeu. O seu simbolismo, herdado de Gustave Kahn e de Moréas, caracteriza-se sobretudo pela evasão sumptuária, ainda parnasiana, pelo culto da música orgíaca e por um divórcio aristocrático do público «grosseiro» (poesia para os iniciados). Cultiva o requinte, com atitude. Tenta «encantar» o leitor pelo clima verbal do poema.


Obras Publicadas

- Cristalizações Da Morte – 1884

- Canções de Abril – 1884

- Jesus De Nazareth – 1885

- Per Humbram – 1887 Imagem:per.jpeg

- Horas Tristes – 1888

- Oaristos – 1890 Imagem:oaristos1.jpeg


- Horas – 1891 Imagem:horas.jpeg

- Belkiss – 1894 Imagem:belkiss.jpeg

- Interlúnio – 1894

- Sylva – 1894

- Tirésias – 1895

- Sagramor – 1895

- Salomé E Outros Poetas – 1896

- A Nereide De Harlém – 1896 Imagem:nereide.jpeg

- O Rei Galaor – 1897

- Saudades do Céu – 1899

- Constança – 1900 Imagem:constança.jpeg

- Depois da Ceifa – 1901

- A Sombra Do Quadrante – 1906

- O Anel de Polícrates – 1907

- A Fonte Do Sátiro – 1908

- O Cavaleiro Das Mãos Irresistíveis – 1916

- Camafeus Romanos – 1921

- Cravos De Papel – 1922

- Canções Desta Negra Vida – 1922

- Tentação de São Macário – 1922

- A Mantilha De Medronhos – 1923

- A Caixinha Das Cem Conchas – 1923

- Descendo A Encosta – 1924

- Chamas Duma Candeia Velha – 1925

- Éclogas – 1929

- Últimos Versos – 1938 Imagem:ultimo.jpeg


Fontes

Coelho, Jacinto do Prado (Volume 1). Dicionário de Literatura, Livraria Figueirinhas, Porto.

Coelho, Jacinto do Prado (Volume 2). Dicionário de Literatura II, Livraria Figueirinhas, Porto.

Grande enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Volume VI). Editorial Enciclopédia, limitada, Lisboa e Rio de Janeiro.

Machado, Álvaro Manuel, 1996, Dicionário de Literatura Portuguesa, Editorial Presença, Lisboa.

http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=231

http://portodeabrigo.do.sapo.pt/castro1.html

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