DINIS, Júlio, Porto, 1839 – Porto, 1871

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Júlio Dinis

Júlio Dinis é o pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, embora também tenha utilizado o pseudónimo de Diana de Aveleda. Nasceu no Porto a 14 de Novembro de 1839. Filho de José Joaquim Gomes Coelho, cirurgião e de Ana Constança Potter Pereira Gomes Coelho, de ascendência anglo-irlandesa. Júlio Dinis é considerado um dos grandes escritores do século XIX. Frequentou a escola primária em Miragaia e aos 14 anos concluiu o curso preparatório do liceu. Andou na Academia Politécnica do Porto e na Escola Médico-Cirúrgica dessa mesma cidade em 1855. Em 1856, escreve as suas primeiras obras dramáticas, Bolo Quente e O Casamento da Condessa de Vilar Maior e em 1857, O Último Baile do Dr. José da Cunha, Os Anéis, Inconvenientes de Amar às Escuras e Duas Cartas.

Júlio Dinis, que sofria de tuberculose, foi para casa da sua tia, em Ovar, no Largo dos Campos, à procura de cura ou apenas de uma melhoria. No entanto, acabou por falecer entre viagens, aos 32 anos, vítima da doença que vitimara a sua mãe e os seus irmãos. O autor foi um dos fundadores do romance moderno, apontado como autor de transição entre o romantismo e o realismo. Do romantismo herdou a visão idealista e a visão idílica da vida rural. Apresentava uma visão angelical da mulher e a mistificação do trabalho como fonte de todo o bem. Do realismo herdou a função moralizadora e didática e a descrição de uma sociedade como palco de conflitos e recurso a personagens – tipo.

Júlio Dinis via o mundo pelo prisma da fraternidade, do otimismo, do amor e da esperança. Expunha o romance como “uma arte essencialmente popular”, com uma função educativa, didática e ética. Nas suas obras encontra-se a apologia ao progresso, nomeadamente na obra ”Uma Família Inglesa”. O autor acreditava na capacidade de auto-regeneração do homem. Os seus romances revelam o desejo de harmonização universal, revela a necessidade de descrição do ambiente, cenários do quotidiano assim como de hábitos, costumes e certos tipos de linguagem de modo a melhor caraterizar as personagens. Todos os ambientes são descritos de modo a contribuir para um retrato realista da vida portuense, já os espaços rurais aparecem associados à reflexão e auto – análise. Manifesta um fundo ideológico nos romances, pela época de estabilização social e política que sucedeu ao período das guerras civis, expressando uma visão realista da vida social portuguesa do seu tempo.

Os seus romances apresentam uma linguagem leve, fluida e elegante. Segundo Eça de Queirós:” Júlio Dinis viveu leve, escreveu de leve, morreu de leve”.


Excerto da obra" As Pupilas do Senhor Reitor"


(...)E Margarida?... Essa mais pungentes sentia ainda as saudades. Sempre assim acontece. Em todas as separações, tem mais amargo quinhão de dores o que fica, do que o que vai partir. A este esperam-no novos lugares, novas cenas, novas pessoas; sobretudo espera-o o atrativo do desconhecido, que de antemão lhe absorve quase todos os pensamentos. Vai experimentar outras sensações, e à força de distrair os sentidos, é raro que não acabe por distrair o coração. Mas ao que fica... lá estão todos os objetos que vê a recordar-lhe as venturas que perdeu; ali as flores que colheram juntos, para as trocar depois; acolá, a árvore a cuja sombra se sentaram; além o ribeiro que arrebatou na corrente as pétalas, desfolhadas um dia, do bem-me-quer fatídico, que os amantes interrogam; o tronco onde se gravaram unidas as iniciais de dois nomes; o canto dos pássaros que tantas vezes escutaram; o ponto da perspectiva, mais procurado pela vista de ambos... Oh!, há bem mais alimentos para as saudades assim! E depois, o que se ausenta vai esperançado nisto mesmo: em que a afeição, que deixa, lhe será fielmente mantida até a volta; que evitarão o esquecimento das promessas feitas tantas testemunhas que as presenciaram e que, sem cessar, as recordarão; os que ficam antevêem que, longe de tudo que possa falar-lhes delas, pouco a pouco se varrerão essas promessas da memória do ausente, e, ao dizer o adeus da despedida, um amargo pressentimento lhes segreda que dizem adeus a uma ilusão.(...)


Análise


A obra desenrola-se numa aldeia portuguesa,é a história de um enredo entre Daniel e Margarida, Pedro e Clara. Júlio Dinis descreve os campos,os hábitos, as ideias e os sentimentos, desenvolvendo assim a problemática da burguesia. Destaca-se a dicotomia entre o modernismo e o tradicional, a cidade e o campo e o amor e o desejo. As personagens são autênticas. O excerto retirado identica Margarida,uma das personagens principais e o sofrimento sofrido pela partida do seu amor Daniel para o Porto ( onde foi estudar medicina). Júlio Dinis carateriza não só os sentimenos e descreve sentimentos como nos dá a conhecer as paisagens.


Obras:


- "A Morgadinha dos Canaviais" em 1868 Imagem:AMorgadinhaDosCanaviais.jpg

- "Uma Familia Inglesa" em 1868

- "As Pupilas do Senhor Reitor" em 1869 Imagem:AsPupilasDoSenhorReitor.jpg

- "Serões da Província" em 1870

- "Os Fidalgos da Casa Mourisca" em 1871 Imagem:OsFidalgosDaCasaMourisca.jpg

- "Poesias" em 1873

- "Inéditos e Dispersos" em 1910

- "Teatro Inédito" em 1946-1947


Adaptações Cinematográficas:


- "Os Fidalgos da Casa Mourica" em 1921 e em 1938

- "As Pupilas do Senhor Reitor" em 1924, 1935 E EM 1961

- "A Morgadinha dos Canaviais" em 1949


Adaptações Televisivas:


- "As Pupilas do Senhor Reitor" em 1994

- "Os Fidalgos da Casa Mourisca" em 1972

- "A Morgadinha dos Canaviais" em 1990


Webgrafia:

www.pt.wikipedia.org/wiki/júlio_Dinis

www.issuu.com/jmuge/docs/biog_Dinis


Bibliografia:

Enciclopédia Verbo das Literaturas de Lingua Portuguesa,Biblos Verbo,Vol 2

A Enciclopédia,Público,Vol 7

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