Vinhos do oeste

De WikiTurismo

VINHOS DO OESTE

(Fonte: "Vinhos de Portugal", READ, Jan Quetzal Editores, Lisboa 1989)

OESTE E RIBATEJO

"Em termos de quantidade de produção, a Região Oeste, que se estende do estuário do Tejo até às Caldas da Rainha e da costa marítima até ao Ribatejo, é a mais importante do país. Compreende duas subzonas, a de Torres Vedras, a sul, e a de Alcobaça, a norte.

Torres Vedras O terreno acidentado à volta de Torres Vedras forma uma barreira natural que se tornou famosa quando Wellington a aproveitou, na Guerra Peninsular, para erguer uma linha contínua de fortificações de perto de 50 kilómetros do Atlântico ao Tejo, com o intuito de fazer parar o avanço do exército francês, comandado pelo general Massena, sobre Lisboa. O ajudante de campo de Massena descreveu assim os acontecimentos:

«Em vez do planalto ondulante e acessível que nos tinham dito que iríamos encontrar, depararam-se-nos com montanhas escarpadas e fundas ravinas, um estreito carreiro para passar, protegidos de ambos os lados por muros de pedra rematados com tdo o que pudesse servir de fortificação e guarnecidos de artilharia.»

A manobra de Wellington teve tal êxito que o exército francês, depois de cerco que durou todo o inverno de 18010-11, bateu em desordenada retirada, um revés do qual nunca viria a recuperar.

Um pouco acima de Torres Vedras, a cerca de quilómetro e meio das modernas cooperativas, podem ainda ser vistas as fortificações que permanecem quase intactas - paredes de pedra, uma grande trincheira revestida de pedra, torres de vigia, depósitos de munições e uma pequena capela-, dominando os vinhedos ondulantes e iluminados pelo Sol.

Nesta área, os solos têm uma grande percentagem de barros calcários e o clima é temperado, com uma queda de chuva anual de 600 a 700 milímetros. Os vinhos tintos são feitos das castas periquita, joão-de-santarém, tinta miúda e castelinho, e os vinhos brancos de vital e bual.

A cooperativa de Torres Vedras é uma das maiores de Portugal: as uvas são fornecidas por 1800 associados, proprietários de vinhas que têm em média cinco hectares. A capacidade de armazenamento chega aos 16 500 000 litros. O vinho é vinificado em cubas de cimento equipadas com autovinificadores e também com processo contíguo, em grandes tanques de aço, para fazer o vinho tinto corrente. Cerca de 60% deste é vendido a granel e o restante é engarrafado na cooperativa. Nesta fazem-se vinhos tintos, brancos, rosés, bagaceira e um licoroso, que é um vinho forificado à maneira de um porto tawny grosseiro, mas, apesar de tudo, bebível.

(...) Os vinhos atingem perto de 12 graus. (...) Os vinhos mais velhos não são envelhecidos em madeira, mas passam vários anos em garrafa (...).


Alenquer e Arruda dos Vinhos Perto de Alenquer, existem outras grandes cooperativas, em Dois Portos e Arruda dos Vinhos, cuja Adega Cooperativa teve algum êxito com o vinho tinto novo (...)Nesta área, uma das mais interessants adegas privadas é a da Quinta do Porto Franco, da família Correia.

A adega, que se ergue no meio de pomares de cerejeiras e de jardins decorativos, é uma velha condição desalinhada que alberga cubas de cimento e barris de carvalho da Hungria, de todas as dimensões, para envelhecer os vinhos. Tem 400 hectares de vinhedos debruadas por filas de pinheiros onde estão plantadas priquita, tinta miúda e camarate, tintas e vital, jumpal, brancas. A produção é muito significativa e o vinho que não é envelhecido na adega é vendido às grandes empresas para mistura e depois comercializado como vinho de marca. Os vinhos tintos om sabor a amora, alto teor de extrato e acabamento seco são típicos da zona; sofrem, por vezes, o efeito de serem engarrafados antes de ter completado a segunda fermentação malo-láctica, evidenciando, por isso, uma ligeira "agulha".


Alcobaça A tradição de fabricar vinho na região que se estende ondulante para norte remonta ao século XII, quando os monges do Mosteiro de Alcobaça ali introduziram a viticultura. As castas brancas típicas são o rabo-de-ovelha, vital, fernão-pires, boal, baga e castelão.

Um dos mais agradáveis vinhos da região é o tinto VQPRD Gaeiras, da região deÓbidos, uma pequena vila perto da costa atlântica, no alto da colina, considerada uma das mais pitorescas terras de Portugal, com as suas estreitas,as casas de varandas floridas e as muralhas medievais; um velho castelo agora convertido em pousada coroa a vila de Óbidos(...)."

(Inserido por APC)

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